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A CONDIÇÃO HUMANA
Para embalar esta quinta-feira de muito sol e calor em São Luís, a densa e reflexiva poesia de Nauro Machado.
CONDIÇÃO HUMANA
Um homem no mundo sozinho se arrasta sem mão que o sustente
como a uma hóstia. Um homem sozinho em ruas se arrasta.
O tempo o alimenta e a impiedade o nutre no choro de pedras.
Um homem. Apenas ninguém lhe virá agora ou nunca.
Escrito por Equipe Patrimônio às 15h27
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São Luís - Ano 398
São Luís do Maranhão Fundada em 08 de setembro de 1612 Pelo francês Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardière Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade

[Foto: Brasão da Cidade, Fonte das Pedras, Centro Histórico - acervo do Patrimoniodahumanidade.com] Confira a homenagem feita pelo Patrimoniodahumanidade.com aos 398 anos de fundação de São Luís clicando aqui
Escrito por Equipe Patrimônio às 17h01
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7 DE SETEMBRO
DEITADO ETERNAMENTE EM BERÇO ESPLÊNDIDO, AO SOM DO MAR E À LUZ DO CÉU PROFUNDO, FULGURAS, Ó BRASIL, FLORÃO DA AMÉRICA, ILUMINADO AO SOL DO NOVO MUNDO! DO QUE A TERRA MAIS GARRIDA, TEUS RISONHOS, LINDOS CAMPOS TÊM MAIS FLORES; "NOSSOS BOSQUES TEM MAIS VIDA," "NOSSA VIDA" NO TEU SEIO "MAIS AMORES".
Ó PÁTRIA AMADA, IDOLATRADA, SALVE! SALVE!.

Escrito por Equipe Patrimônio às 16h14
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QUASE SESSENTA
Passaram-se quase sessenta dias do último post.
A falta de atualizações se explica: todos os nossos esforços estão voltados para o processo de mudança do layout do site Patrimoniodahumanidade.com.
O mundo girou e girou nesse meio tempo – a Espanha ganhou a Copa do Mundo, o óleo vazou sem parar no Golfo do México; veio à tona o horror envolvendo o goleiro do Flamengo, Saramago morreu, Colômbia e Venezuela seguem se estranhando, aviões atrasam, navios partem..
A vida é aquilo que acontece enquanto a gente sonha o futuro. ***** E olhando para o passado: no dia 28 de julho de 1823, depois de bloqueada por terra e mar, e diante da ameaça de bombardeio pela esquadra do almirante Cochrane, São Luís capitula formalmente, pondo fim à Guerra de Independência do Maranhão, que é assim incorporado ao Império do Brasil. Leia mais sobre o assunto em http://www.patrimonioslz.com.br/pagina336.htm
 [Lord Cochrane - Marquês do Maranhão]
Escrito por Equipe Patrimônio às 17h53
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EM COMPASSO DE ESPERA
Véspera do jogo de estréia do Brasil na Copa do Mundo de 2010.
A decoração verde e amarela das ruas de São Luís alegra a agradável tarde de junho, mas o clima é de tensa expectativa. A verdade é que ninguém arrisca com muita convicção um palpite qualquer para o placar de amanhã. Aqui no Patrimônio pensamos em 3x0 para o Brasil, mas a seleção da Coréia do Norte é, na verdade, um grande enigma - seus jogadores, afinal de contas, atuarão como franco-atiradores que têm tudo a ganhar e nada a perder...
Apenas para complicar um pouco mais a situação: as seleções com forte tradição no futebol têm enfrentando jogos difíceis, mais por suas deficiências do que pelos méritos dos adversários, e poucas conseguiram se impor e vencer.
Mas ficamos mesmo com 3x0 para o Brasil.

Escrito por Equipe Patrimônio às 17h49
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PRÊMIO CAMÕES
Instituído em 1988 pelos governos do Brasil e de Portugal, o Prêmio Camões é atribuído aos autores que, com suas obras, tenham contribuído de forma expressiva para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa. Considerado a mais importante distinção literária a ser concedida a um autor que escreva em português, o Camões é atribuído anualmente e a escolha dos agraciados é feita por um júri especialmente constituído para isso. Em sua última edição, o prêmio coube ao poeta maranhense Ferreira Gullar – e para embalar esta semana que antecede os festejos juninos em São Luís, pinçamos de sua densa obra o belo poema a seguir NO CORPO De que vale tentar reconstruir com palavras o que o verão levou entre nuvens e risos junto com o jornal velho pelos ares? O sonho na boca, o incêndio na cama, o apelo na noite agora são apenas esta contração (este clarão) de maxilar dentro do rosto. A poesia é o presente.
 Foto: Ferreira Gullar
Escrito por Equipe Patrimônio às 15h11
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Notas da Incofidência
No ano da graça de 1792, aos dezoito dias de abril, foi lida no Rio de Janeiro a condenação de doze conjurados que, das Minas Gerais, haviam conspirado contra o poder de D. Maria I, a Pia – primeira rainha reinante de Portugal.
Morte era o que lhes cabia, pelo crime de lesa-majestade que, no Livro V, título 6 das ordenações Filipinas era assim definido:
"Lesa-majestade quer dizer traição cometida contra a pessoa do Rei, ou seu Real Estado, que é tão grave e abominável crime, e que os antigos Sabedores tanto estranharam, que o comparavam à lepra; porque assim como esta enfermidade enche todo o corpo, sem nunca mais se poder curar, e empece ainda aos descendentes de quem a tem, e aos que ele conversam, pelo que é apartado da comunicação da gente: assim o erro de traição condena o que a comete, e empece e infama os que de sua linha descendem, posto que não tenham culpa."
No dia 19 de abril daquele ano, numa nova audiência, o decreto real mudou: a pena dos conjurados foi comutada em degredado para África. Isso só não se aplicou ao mais pobre deles, ao menos ilustrado – e o único que, durante o inquérito judicial promovido pelo Governo, não negou sua participação no movimento: o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que também assumiu a responsabilidade pela chefia do movimento.
No dia 21 de abril de 1792, no Campo da Lampadosa, Tiradentes foi levado numa carreta do exército para a Casa do Trem, onde foi enforcado e esquartejado – o tronco entregue à Santa Casa de Misericórdio para ser enterrado como indigente, a cabeça e os membros foram salgados para não apodrecerem muito rapidamente e enviados a Minas Gerais, onde foram pregados nos pontos do Caminho Novo. A cabeça foi exposta em Vila Rica. *******
Joaquim Silvério dos Reis, o traidor da Inconfidência, sofreu um atentado contra sua vida em Minas, depois do que fugiu para o Reino, onde não se adaptou - retonando assim para o Brasil. Ele morreu em São Luís do Maranhão no dia 17 de fevereiro de 1819 e foi enterrado na Igreja de São João Batista – e, dizem, nas noites de lua cheia seu fantasma amargurado ronda as cercanias do largo da Igreja.
******** Cento e sete anos antes daquele 21 de abril de 1792, na mesma São Luís do Maranhão que mais tarde acolheu o traidor da Inconfidência, foi enforcado Manuel Beckman – o Bequimão -, o primeiro mártir do sentimento nativista que depois redundaria na Independência do Brasil.

[Tiradentes]
Escrito por Equipe Patrimônio às 18h41
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O ENFORCAMENTO
A cerimônia de execução de um condenado à forca era prevista em seus mínimos detalhes pela legislação colonial e foi descrita com fria precisão por um cronista da época.
Acontecia assim.
Durante três dias, o réu passava por um processo de purificação da alma ficava confinado não em sua cela, mas no oratório anexo à prisão, sendo assistido dia e noite por três confessores, que dele se ocupavam em regime de revezamento. A comida que lhe serviam durante esse período vinha diretamente da Santa Casa e, embora fosse bastante leve, era de boa qualidade, tanto que os próprios padres dela compartilhavam.
No dia da execução, o carrasco chegava cedo e cuidava pessoalmente de vestir o réu enquanto todos os seus confessores, reunidos, diziam em voz alta as orações devidas por sua alma pecadora.
Era uma ocasião de grave solenidade.
Formava-se um grande cortejo, que deixava o pátio da prisão precedido em cerca de duzentos metros por um destacamento da Infantaria. À frente vinham os Oficiais da Coroa - lendo em voz alta a sentença que ia ser cumprida - e o Juiz com seu imponente manto de seda preta e o formidável chapéu de pena à moda de Henrique IV.
Após os doutos representantes da Lei, seguia a bandeira da Irmandade de Misericórdia, secundada por dois grandes candelabros e por uma dezena de irmãos, um dos quais carregando um grande crucifixo entre as mãos amarradas juntas.
O réu aparecia logo depois, envergando um dominó branco com o capuz virado para trás e amparado por dois de seus confessores. Ficava bem visível em seu pescoço o laço das duas cordas que o envolviam – uma grossa e a outra mais fina. Dois carrascos acompanhavam esse pequeno grupo. Um ficava atrás do réu, segurando a longa cauda do dominó e a ponta das duas cordas enroladas. O outro carregava ao ombro um grande saco com dois portentosos facões, que mais tarde, finda a execução, seriam usados para cortar as cordas e liberar o corpo.
Dois Oficiais de Justiça escoltavam os carrascos. Eram negros do Tribunal, carregavam foices afiadas e estavam por sua vez acompanhados de dois outros negros - aos quais cabia levar um banquinho de madeira e um grande cesto contendo comida.
Um segundo destacamento de Infantaria fechava a retaguarda.
O cortejo seguia para o local da execução em passo comedido. O itinerário passava, necessariamente, diante de uma igreja, onde fazia uma parada para que o réu pudesse assistir à missa. Antes da elevação da hóstia, contudo, ele era retirado da cerimônia: não lhe cabia receber o perdão D’aquele que, por Sua carne dilacerada e por Seu sangue derramado, a todos perdoou.
Ele não merecia o perdão – não nessa vida, pelo menos.
Chegando ao local da execução, o réu era sentado no banquinho que um dos negros da escolta dos Oficiais de Justiça tinha trazido até ali. Diante dele, de modo a que não visse a forca de frente, assentavam a bandeira da Irmandade de Misericórdia. Em voz alta, liam uma vez mais a sentença, e só então os padres se aproximavam e ofereciam alimento. Era um ato simbólico de caridade que não demorava muito e, quando terminava, dois confessores conduziam-no amavelmente até o inicio dos degraus da forca e lhe apresentavam o crucifixo para ser beijado uma última vez.
Feito isso, os religiosos se retiravam para perto dos pilares da forca. Um dos confessores, mais os dois carrascos, ajudavam o réu a subir de costas a escada do patíbulo até que o penúltimo degrau fosse alcançado. Com rapidez e habilidade, um dos carrascos subia então pelas travessas e ali amarrava firmemente as cordas atadas ao pescoço do réu, enquanto seu colega de ofício, postado embaixo da escada, fazia o mesmo com as pernas dele.
A operação toda não durava mais que dois minutos, e durante esse tempo o confessor não parava de exortar o réu ao arrependimento. Quando o capuz era finalmente abaixado sobre o rosto deste, o confessor voltava-se para o povo reunido e conclamava para que todos se unissem e clamassem misericórdia pela alma daquele irmão padecente.
Alheio a essa invocação, o carrasco que havia subido pelas travessas do patíbulo para ali amarrar as cordas colocava-se a cavalo sobre os ombros do réu, ao mesmo tempo em que seu companheiro erguia-lhe as pernas e o fazia precipitar-se da escada, girando.
Ouvia-se nitidamente o estalo seco da coluna cervical sendo partida, o condenado estertorava um pouco e logo em seguida tudo acabava.
Quando desciam o corpo, membros da Irmandade de Misericórdia procediam a um rápido exame, de modo a determinar se o réu estava realmente morto – se não estivesse, ele poderia ser tratado e estaria para todo sempre livre.
Mas nunca se soube de alguém digno de tal milagre.
E tal milagre de fato não aconteceu naquela manhã de 10 de novembro de 1685, quando enforcaram Manuel Beckman, o Bequimão, no patíbulo armado na Praia Pequena, aonde quase toda a população de São Luís à época veio assistir a execução do grande líder da primeira revolta nativista contra o domínio português que o Brasil teve notícia.

[Pintura de Pisanello]
Escrito por Equipe Patrimônio às 11h40
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DIAS DE SOL E CALOR
Quinta-feira de muito sol e calor em São Luís – e em plena estação das águas, onde o normal seriam as chuvas torrenciais.
Embora as altas temperaturas registradas nos últimos dias causem algum desconforto, há compensações magníficas, como a proporcionada pelo pôr-do-sol da foto abaixo.
No soneto Saudade Marinha, Bandeira Tribuzi canta:
E entre nós, era o mar. O mar perdido, Longínquo, soluçante, ilimitado E azul, como a canção de ser amado E longo como o olhar em ti vertido.
Das nuvens o navio desmedido Aumentava a distância e o som magoado Do mar adivinhado era o gemido Que em teu longo silêncio havias dado.
Ó mar sem termo, cessa tuas ondas E o distante horizonte e esta amargura E este verde soluço de ansiedade,
Até que sua música responda E eu reconheça a voz amiga e pura Vencendo a maré alta da saudade.
Então, tudo está dito...

[Foto: Sol, Avenida Beira-Mar, São Luís. Acervo do site Patrimoniodahumanidade.com]
Escrito por Equipe Patrimônio às 11h48
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83 ANOS DE BANDEIRA TRIBUZI
Poeta símbolo de São Luís, Bandeira Tribuzi, nascido em 02 de fevereiro de 1927, estaria hoje completando oitenta e três anos.
Embora tenha partido deste plano há mais de três décadas, Tribuzi permanece vivo na cidade que tanto amou, porque, como ele mesmo escreveu em seu Breve Memorial, “o poema não morre, o amor não morre” – e o mesmo acontece com os poetas.
A seguir, um trecho de seu Breve Memorial do Longo Tempo
Há cinqüenta anos estou nascendo e hoje antes que a morte me proíba de renascer as manhãs, quero ver a chorar outras vez pela primeira vez e sentir o gosto da vida, pela outra primeira vez, como um doce leite materno e outra primeira vez escutar as palavras e aprendê-las, os gestos e copiá-los, ser coberto pelo manto da ternura e manipulado pelas mãos da ciência para que viva e viva para que seja um Homem, e seja um Homem para que sofra e saiba, e sofra e saiba para que pense e pense para que multiplique em mim a vida humana

[Foto: Bandeira Tribuzi]
Escrito por Equipe Patrimônio às 12h47
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VOLTA DAS FÉRIAS
Foram trinta dias de recesso para repor as energias, mas agora estamos de volta.
E voltamos com muitos planos tanto para o blog quanto para o site Patrimoniodahumanidade.com – do layout que pretendemos repaginar ao acréscimo de novas e surpreendentes seções: afinal de contas, 2010 é um ano que promete muito, e embora ao longo de sua jornada tenhamos flores e espinhos, céu de brigadeiro e tempestades tropicais, esperamos sinceramente que todos nós possamos apreciar tranquilamente uns e passar incólume pelos outros.
Então, carpe diem - aproveite o dia, pois o dia é o fruto maduro onde a vida pulsa e você está vivo. Equipe Patrimônio
P.s - Embora um pouco tardiamente, Feliz Ano Novo

[Quadro: Idle Hours, 1894 de William Merrit Chase]
Escrito por Equipe Patrimônio às 13h00
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FAUNA PRÉ-HISTÓRICA DO MARANHÃO
Reconhecida como um dos mais importantes sítios paleontológicos do país, a Laje do Coringa, na Ilha do Cajual – litoral norte do Maranhão -, continua fornecendo um rico e diversificado conjunto de registros fósseis da fauna pré-histórica brasileira.
Recentemente, pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e da Universidade Estadual Paulista (UNESP), de Rio Claro, concluíram um importante estudo apontando a existência de duas novas espécies de dinossauros que habitaram a região entre 100 e 95 milhões de anos atrás, no período Cretáceo: o primeiro deles pertencente à ordem dos Velociraptorinae, e o segundo à dos Pteurosauria, que apresentou ainda a ocorrência de dois gêneros distintos - os Anhangueridae e os Ornithocheiridae.
Com a descoberta dessas ‘novas’ espécies, e pelas semelhanças morfológicas detectadas entre os exemplares colhidos na Ilha do Cajual e os seus ‘parentes’ africanos da mesma época, ficou reforçada a crença dos cientistas numa proximidade evolutiva entre as duas faunas – mesmo que, nesse período geológico, a grande massa de terra onde antes estavam reunidos todos os continentes, conhecido com Pangéia, estivesse já em seu estágio final de separação.
Em tempo: a Ilha do Cajual é um local inóspito e de difícil acesso – partindo-se de São Luís, de barco, são várias horas enfrentando as fortes e velozes correntes marítimas da baía de São Marcos. Poucas pessoas moram lá: apenas uma comunidade bastante fechada, descendente de escravos, que sobrevive às duras penas da pesca e de uma incipiente agricultura de sobrevivência.

[Desenho: velociraptor perseguindo sua presa]
Escrito por Equipe Patrimônio às 18h11
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SEXTA-FEIRA, 13
Dia atípico para novembro, mesmo que 13: céu encoberto, cheiro distante de chuva - ou será apenas impressão?
A cidade parece ter entrado em compasso de espera, aguardando o tempo se decidir sobre o que virá.
Para a possibilidade do sol, a esperança recita o Soneto Corporal, de Bandeira Tribuzi:
Nesta manhã, que o sol torna madura, o vento forte passa contra a vida. Leve, o rumor das águas tudo banha e a música das cores vem subindo.
De pé no campo, como se crescera dele também, um corpo de homem está com sua carne morena e a cabeça coroada de cabelo e pensamentos.
Junto de si a companheira guarda a cadeia da vida. Suas curvas são convite à carícia e profecia.
E o sol, que amadurece esta paisagem, vai desatando a vida que o aguarda ao mesmo tempo que desata o dia.

[Foto: Sol, Praia do Coqueiro, São Luís. Acervo do site Patrimoniodahumanidade.com]
Escrito por Equipe Patrimônio às 11h14
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UM POEMA PARA A NOITE
Começo de noite - e, para embalar o happy hour, mais um testemunho da maestria poética de Nauro Machado, novamente em edição bilíngüe.
LISURA
O vidro cega quando em espelho abandonado.
As mãos morrem sem a esperança que os olhos tem.
A tarde é simples no coração das gaivotas.
Torre nenhuma floresce em lábios silenciados.
Silêncio; espera! Chamas-te agora o sim do sempre.
GLÄTTE
Das Glas erblindet wenn im Spiegel verlassen.
Die Hände sterben ohne die Hoffnung die die Augen haben.
Der Abend ist einfach im Herzen der Möwen.
Kein Turn blüht in verstummten Lippen.
Verstummen: warte! Jetzt heiBt du Das Ja von immer.

[Foto: Vôo de gaivotas, Praia do Coqueiro, São Luís. Acervo do site Patrimoniodahumanidade.com]
Escrito por Equipe Patrimônio às 20h01
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NAURO MACHADO - EDIÇÃO BILÍNGÜE
Atendendo a inúmeros pedidos recebidos ao longo da semana, apresentamos mais um poema de Nauro Machado em edição bilíngüe.
OFÍCIO
Ocupo o espaço que não é meu, mas do universo. Espaço do tamanho do meu corpo aqui, enchendo inúteis quilos de um metro e setenta e dois centímetros, o humano de quebra. Vozes me dizem: eh, tu aí! E me mandam bater serviços de excrementos em papéis caídos numa máquina Remington, ou outra qualquer. E me mandam pro inferno, se inferno houvesse pior que este inumano existir burocrático. E depois há o escárnio da minha província. E a minha vida para cima e para baixo, para baixo sem cima, ponte umbilical partida, raiz viva de morta inocência. Estranhos uns aos outros, que faço eu aqui? E depois ninguém sabe mesmo do espaço que ocupo, desnecessário espaço de pernas e de braços preenchendo o vazio que eu sou. E o mundo, triste bronze de um sino rachado, o mundo restará o mesmo sem minha quota de angústia e sem minha parcela de nada.
BERUF
Ich nehme den Raum ein, der nicht mir gehört, sondern dem Weltall. Raum vom MaBe meines Körpers hier, und fülle unnütze Kilos in einen Meter und zwei und siebzig Zentimeter, menschliche Dreingabe. Stimmen sagen zu mir: He, du! Und schicken mich Exkrementarbeiten auf Abfallpapier tippen auf einer Remington oder irgendeiner anderen Maschine. Und schicken mich zur Hölle, als gäbe es eine schlimmere Hölle als dies unmenschliche bürokratische Dasein. Dazu kommt noch die Verspottung meiner Provinz. Und mein I eben mit seinem Hinauf und Hinunter, Hinunter ohne Hinauf, zerbrochene Nabelbrücke, lebendige Wurzel toter Unschuld. Fremd einer dem anderen, was tue ich hier? Und dann kennt wirklich keiner den Raum, den ich einnehme, unnötiger Raum von Beinen und Armen, die Leere füllend, die ich bin. Und die Welt, traurige Bronze einer zersprungenen Glocke, die Welt wird dieselbe bleiben ohne meine Rate an Angst und ohne meinen Anteil am Nichts.

[Foto: máquina Remington de 1879, coleção de Ronaldo de Oliveira]
Escrito por Equipe Patrimônio às 17h30
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