Blog do Patrimônio


28 DE JULHO

28 de Julho de 1823 - 191 anos da Adesão do Maranhão à Independência do Brasil.




Escrito por Equipe Patrimônio às 11h40
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SOBRE A ALMA DA CIDADE

 

Para embalar esta penúltima sexta-feira de maio, um poema de Bandeira Tribuzi escolhido do seu Romanceiro da Cidade de São Luís:

PEDRA DE ALMA

De pedras e azulejos,
mirantes e becos,
sobrados e torres
faz-se uma cidade:
ainda mais de alma.

Lucros e interesses,
negócios, comércios,
embarques e rendas
fazem a cidade.
Sobretudo a alma.


Glórias e infortúnios,
vitórias e dor,
aleluia e réquiem
narram a cidade.
Mas, e sua alma?

Pedras tombarão,
torres e mirante,
glórias e desgraças
morrem com a cidade
se o destino a faz
um lugar e nada.
Restará no tempo
a pedra de sua alma.

[Foto: Rua da Estrela, acervo do Patrimoniodahumanidade.com]



Escrito por Equipe Patrimônio às 16h15
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2014

Retornando às atividades depois do recesso do final de ano, trazemos para este começo de noite de janeiro um soneto de Odylo Costa, filho (1914-1979).


PAZ DE AMOR

Calemos esta paz como um segredo
de amor feliz. Não seja este silêncio
ponto final em nosso terno enredo:
não nos encerre o amor, antes condense-o.

Olhemo-nos nos olhos face a face.
Sem recuar surpresos como o amigo
que de repente no outro deparasse
apenas o lembrar do tempo antigo.

Não. Sempre em nós renascerão searas.
Novas chuvas trarão nova colheita.
Folhas novas, translúcidas e raras.

E brotará da tua mão direita
água súbita e casta do rochedo
um novo amor, que vença a morte e o medo.

(Boca da noite, 1979)

[Foto: Enseada, São Luís, acervo do Patrimoniodahumanidade.com]



Escrito por Equipe Patrimônio às 19h55
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UM POEMA PARA A TARDE

Para esta tarde de quinta-feira de novembro, mais um testemunho da maestria de um dos maiores poetas do Brasil - Nauro Machado, agora numa edição bilíngüe.

LISURA

O vidro cega
quando em espelho
abandonado.

As mãos morrem
sem a esperança
que os olhos tem.

A tarde é simples
no coração
das gaivotas.

Torre nenhuma
floresce em lábios
silenciados.

Silêncio; espera!
Chamas-te agora
o sim do sempre.


GLÄTTE

Das Glas erblindet
wenn im Spiegel
verlassen.

Die Hände sterben
ohne die Hoffnung
die die Augen haben.

Der Abend ist einfach
im Herzen
der Möwen.

Kein Turn
blüht in verstummten
Lippen.

Verstummen: warte!
Jetzt heiBt du
Das Ja von immer



Escrito por Equipe Patrimônio às 16h51
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O ENFORCAMENTO

A cerimônia de execução de um condenado à forca era prevista em seus mínimos detalhes pela legislação colonial e foi descrita com fria precisão por um cronista da época.

Acontecia assim.

Durante três dias, o réu passava por um processo de purificação da alma ficava confinado não em sua cela, mas no oratório anexo à prisão, sendo assistido dia e noite por três confessores, que dele se ocupavam em regime de revezamento. A comida que lhe serviam durante esse período vinha diretamente da Santa Casa e, embora fosse bastante leve, era de boa qualidade, tanto que os próprios padres dela compartilhavam.

No dia da execução, o carrasco chegava cedo e cuidava pessoalmente de vestir o réu enquanto todos os seus confessores, reunidos, diziam em voz alta as orações devidas por sua alma pecadora.

Era uma ocasião de grave solenidade.

Formava-se um grande cortejo, que deixava o pátio da prisão precedido em cerca de duzentos metros por um destacamento da Infantaria. À frente vinham os Oficiais da Coroa - lendo em voz alta a sentença que ia ser cumprida - e o Juiz com seu imponente manto de seda preta e o formidável chapéu de pena à moda de Henrique IV.

Após os doutos representantes da Lei, seguia a bandeira da Irmandade de Misericórdia, secundada por dois grandes candelabros e por uma dezena de irmãos, um dos quais carregando um grande crucifixo entre as mãos amarradas juntas.

O réu aparecia logo depois, envergando um dominó branco com o capuz virado para trás e amparado por dois de seus confessores. Ficava bem visível em seu pescoço o laço das duas cordas que o envolviam – uma grossa e a outra mais fina. Dois carrascos acompanhavam esse pequeno grupo. Um ficava atrás do réu, segurando a longa cauda do dominó e a ponta das duas cordas enroladas. O outro carregava ao ombro um grande saco com dois portentosos facões, que mais tarde, finda a execução, seriam usados para cortar as cordas e liberar o corpo.

Dois Oficiais de Justiça escoltavam os carrascos. Eram negros do Tribunal, carregavam foices afiadas e estavam por sua vez acompanhados de dois outros negros - aos quais cabia levar um banquinho de madeira e um grande cesto contendo comida.

Um segundo destacamento de Infantaria fechava a retaguarda.

O cortejo seguia para o local da execução em passo comedido. O itinerário passava, necessariamente, diante de uma igreja, onde fazia uma parada para que o réu pudesse assistir à missa. Antes da elevação da hóstia, contudo, ele era retirado da cerimônia: não lhe cabia receber o perdão D’aquele que, por Sua carne dilacerada e por Seu sangue derramado, a todos perdoou.

Ele não merecia o perdão – não nessa vida, pelo menos.

Chegando ao local da execução, o réu era sentado no banquinho que um dos negros da escolta dos Oficiais de Justiça tinha trazido até ali. Diante dele, de modo a que não visse a forca de frente, assentavam a bandeira da Irmandade de Misericórdia. Em voz alta, liam uma vez mais a sentença, e só então os padres se aproximavam e ofereciam alimento. Era um ato simbólico de caridade que não demorava muito e, quando terminava, dois confessores conduziam-no amavelmente até o inicio dos degraus da forca e lhe apresentavam o crucifixo para ser beijado uma última vez.

Feito isso, os religiosos se retiravam para perto dos pilares da forca. Um dos confessores, mais os dois carrascos, ajudavam o réu a subir de costas a escada do patíbulo até que o penúltimo degrau fosse alcançado. Com rapidez e habilidade, um dos carrascos subia então pelas travessas e ali amarrava firmemente as cordas atadas ao pescoço do réu, enquanto seu colega de ofício, postado embaixo da escada, fazia o mesmo com as pernas dele.

A operação toda não durava mais que dois minutos, e durante esse tempo o confessor não parava de exortar o réu ao arrependimento. Quando o capuz era finalmente abaixado sobre o rosto deste, o confessor voltava-se para o povo reunido e conclamava para que todos se unissem e clamassem misericórdia pela alma daquele irmão padecente.

Alheio a essa invocação, o carrasco que havia subido pelas travessas do patíbulo para ali amarrar as cordas colocava-se a cavalo sobre os ombros do réu, ao mesmo tempo em que seu companheiro erguia-lhe as pernas e o fazia precipitar-se da escada, girando.

Ouvia-se nitidamente o estalo seco da coluna cervical sendo partida, o condenado estertorava um pouco e logo em seguida tudo acaba.

Quando desciam o corpo, membros da Irmandade de Misericórdia procediam a um rápido exame, de modo a determinar se o réu estava realmente morto – se não estivesse, ele poderia ser tratado e estaria para todo sempre livre.

Mas nunca se soube de alguém digno de tal milagre.

E tal milagre de fato não aconteceu naquela manhã de 10 de novembro de 1685, quando enforcaram Manuel Beckman, o Bequimão, no patíbulo armado na Praia Pequena, aonde quase toda a população de São Luís à época veio assistir a execução do grande líder da primeira revolta nativista contra o domínio português que o Brasil teve notícia.



 [Pintura de Pisanello]



Escrito por Equipe Patrimônio às 12h40
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UMA DATA ESPECIAL

No último domingo, dia 29 de setembro, foi comemorado o transcurso dos 184 anos da Biblioteca Pública Benedito Leite.

Marco do esforço desprendido por um grupo de intelectuais maranhenses para a disseminação da cultura e do saber no Estado, destacando-se entre eles Antonio Pedro da Costa, Barão de Pindaré, a Biblioteca foi fundada no dia 29 de setembro de 1829 - embora tenha sido aberta ao público apenas em 1831.

Considerada por muitos pesquisadores como a segunda biblioteca pública mais antiga do país, a Benedito Leite conta com um acervo de cento e vinte e sete mil títulos, entre livros, jornais, fotografias, microfilmes e obras raras, como manuscritos do século XVIII e livros de arte. O prédio onde a biblioteca está atualmente instalada foi construído entre 1950 e 1951, no estilo neoclássico típico do começo do século vinte.

Situada na Praça Deodoro, no centro da cidade, a Biblioteca Pública Benedito Leite funciona de segunda a sexta-feira, das 08h30min às 19h00min.

[Fachada principal da Biblioteca Benedito Leite]



Escrito por Equipe Patrimônio às 12h14
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BRASIL!

Ó Pátria amada,
Idolatrada
Salve! Salve!




Escrito por Equipe Patrimônio às 11h27
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GONÇALVES DIAS

10 de agosto é dia de se comemorar o 190º aniversário do maior poeta brasileiro do século XIX: Antonio Gonçalves Dias.

Filho de pai português e mãe cafuza, o Poeta foi emblematicamente a síntese das três raças que formaram o povo brasileiro: a branca, a negra e a índia.

Em breve, o Patrimoniodahumanidade.com estará publicando um especial sobre o poeta - fica, no entanto, o registro de uma data tão significativa para a cultura nacional.

E para embalar esta sexta-feira de muito sol, apresentamos a seguir um dos mais exuberantes testemunhos da maestria poética de Gonçalves Dias: o poema a Tempestade – uma realização magnífica, onde ele visita, ao longo de um único e belíssimo poema, todos os metros possíveis da poesia em língua portuguesa.

A Tempestade

Um raio
Fulgura
No espaço
Esparso,
De luz;
E trêmulo
E puro
Se aviva,
S’esquiva
Rutila,
Seduz!

Vem a aurora
Pressurosa,
Cor de rosa,
Que se cora
De carmim;
A seus raios
As estrelas,
Que eram belas,
Tem desmaios,
Já por fim.

O sol desponta
Lá no horizonte,
Doirando a fonte,
E o prado e o monte
E o céu e o mar;
E um manto belo
De vivas cores
Adorna as flores,
Que entre verdores
Se vê brilhar.

Um ponto aparece,
Que o dia entristece,
O céu, onde cresce,
De negro a tingir;
Oh! vede a procela
Infrene, mas bela,
No ar s’encapela
Já pronta a rugir!
Não solta a voz canora
No bosque o vate alado,
Que um canto d’inspirado
Tem sempre a cada aurora;
É mudo quanto habita
Da terra n’amplidão.
A coma então luzente
Se agita do arvoredo,
E o vate um canto a medo
Desfere lentamente,
Sentindo opresso o peito
De tanta inspiração.

Fogem do vento que ruge
As nuvens aurinevadas,
Como ovelhas assustadas
Dum fero lobo cerval;
Estilham-se como as velas
Que no alto mar apanha,
Ardendo na usada sanha,
Subitâneo vendaval.

Bem como serpentes que o frio
Em nós emaranha, — salgadas
As ondas s’estanham, pesadas
Batendo no frouxo areal.
Disseras que viras vagando
Nas furnas do céu entreabertas
Que mudas fuzilam, — incertas
Fantasmas do gênio do mal!

E no túrgido ocaso se avista
Entre a cinza que o céu apolvilha,
Um clarão momentâneo que brilha,
Sem das nuvens o seio rasgar;
Logo um raio cintila e mais outro,
Ainda outro veloz, fascinante,
Qual centelha que em rápido instante
Se converte d’incêndios em mar.

Um som longínquo cavernoso e ouco
Rouqueja, e n’amplidão do espaço morre;
Eis outro inda mais perto, inda mais rouco,
Que alpestres cimos mais veloz percorre,
Troveja, estoura, atroa; e dentro em pouco
Do Norte ao Sul, — dum ponto a outro corre:
Devorador incêndio alastra os ares,
Enquanto a noite pesa sobre os mares.

Nos últimos cimos dos montes erguidos
Já silva, já ruge do vento o pegão;
Estorcem-se os leques dos verdes palmares,
Volteiam, rebramam, doudejam nos ares,
Até que lascados baqueiam no chão.

Remexe-se a copa dos troncos altivos,
Transtorna-se, tolda, baqueia também;
E o vento, que as rochas abala no cerro,
Os troncos enlaça nas asas de ferro,
E atira-os raivoso dos montes além.

Da nuvem densa, que no espaço ondeia,
Rasga-se o negro bojo carregado,
E enquanto a luz do raio o sol roxeia,
Onde parece à terra estar colado,
Da chuva, que os sentidos nos enleia,
O forte peso em turbilhão mudado,
Das ruínas completa o grande estrago,
Parecendo mudar a terra em lago.

Inda ronca o trovão retumbante,
Inda o raio fuzila no espaço,
E o corisco num rápido instante
Brilha, fulge, rutila, e fugiu.
Mas se à terra desceu, mirra o tronco,
Cega o triste que iroso ameaça,
E o penedo, que as nuvens devassa,
Como tronco sem viço partiu.

Deixando a palhoça singela,
Humilde labor da pobreza,
Da nossa vaidosa grandeza,
Nivela os fastígios sem dó;
E os templos e as grimpas soberbas,
Palácio ou mesquita preclara,
Que a foice do tempo poupara,
Em breves momentos é pó.

Cresce a chuva, os rios crescem,
Pobres regatos s’empolam,
E nas turvam ondas rolam
Grossos troncos a boiar!
O córrego, qu’inda há pouco
No torrado leito ardia,
É já torrente bravia,
Que da praia arreda o mar.

Mas ai do desditoso,
Que viu crescer a enchente
E desce descuidoso
Ao vale, quando sente
Crescer dum lado e d’outro
O mar da aluvião!
Os troncos arrancados
Sem rumo vão boiantes;
E os tetos arrasados,
Inteiros, flutuantes,
Dão antes crua morte,
Que asilo e proteção!

Porém no ocidente
S’ergue de repente
O arco luzente,
De Deus o farol;
Sucedem-se as cores,
Qu’imitam as flores
Que sembram primores
Dum novo arrebol.

Nas águas pousa;
E a base viva
De luz esquiva,
E a curva altiva
Sublima ao céu;
Inda outro arqueia,
Mais desbotado,
Quase apagado,
Como embotado
De tênue véu.

Tal a chuva
Transparece,
Quando desce
E ainda vê-se
O sol luzir;
Como a virgem,
Que numa hora
Ri-se e cora,
Depois chora
E torna a rir.

A folha
Luzente
Do orvalho
Nitente
A gota
Retrai:
Vacila,
Palpita;
Mais grossa
Hesita,
E treme
E cai.



Escrito por Equipe Patrimônio às 12h42
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REGISTRO IMPORTANTES

Pela crença popular, agosto é o mês do desgosto – para a memória da cultura maranhense, no entanto, esse mês de fama tão pouco lisonjeira assinala duas passagens de imensa relevância.

A primeira: 10 de agosto de 1823, data do nascimento, em Caxias, Maranhão, de Antônio Gonçalves Dias, um dos maiores poetas da língua portuguesa de todos os tempos.

Sobre esse poeta maior, que tocou profundamente a alma brasileira e que ainda hoje é declamado e aclamado – quem não sabe de cor os versos da Canção do Exílio, talvez o mais parodiado e imitado poema da nossa literatura? – escreveu o poeta José Chagas:

A ilha aguarda a vinda de um navio
que nunca mais há de chegar ao porto,
porque lhe pesa no convés sombrio
a alma leve de um poeta morto


Refere-se Chagas às circunstâncias da morte de Gonçalves Dias, que, doente, regressava a São Luís quando o navio em que viajava, o Ville de Boulogne, naufragou nos baixios dos Atins, em Guimarães, Maranhão, em 13 de novembro de 1864. Muito fraco e abatido na ocasião, o poeta foi o único que não conseguiu se salvar – e fica o gosto amargo de não ter sido concedido a ele, como pedira, não morrer sem ter conseguido voltar para a terra ‘onde canta o sabiá.’

Abaixo, a transcrição de Nelson Archer, para o inglês, da Canção do Exílio :

The song of exile

Kennst du das Land, wo die Citronen blühen,
Im dunklen Laub die Gold-Orange glühen?
Kennst due s wohl? – Dahin, dahin!
Möchtl ich…zeihn.
Goethe

My homeland has many palm-trees
and the thrush-song fills its air;
no bird here can sing as well
as the birds sing over there.

We have fields more full of flowers
and a starrier sky above,
we have woods more full of life
and a life more full of love.

Lonely night-time meditations
please me more when I am there;
my homeland has many palm-trees
and the thrush-song fills its air.

Such delights as my land offers
Are not found here nor elsewhere;
lonely night-time meditations
please me more when I am there;
My homeland has many palm-trees
and the thrush-song fills its air.

Don't allow me, God, to die
without getting back to where
I belong, without enjoying
the delights found only there,
without seeing all those palm-trees,
hearing thrush-songs fill the air
.

A segunda passagem: no mesmo dia 10 de agosto, só que de 1908, um grupo de doze intelectuais maranhense se reuniu no salão de leituras da então Biblioteca Pública de São Luís e ali resolveram fundar a Academia Maranhense de Letras – que está, neste mês de agosto de 2013, comemorando 105 anos de atividades.


[Retrato de Gonçalves Dias]



Escrito por Equipe Patrimônio às 12h11
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O POETA DA SAMARITANA

Na coluna Artes & Literatura do site Patrimoniodahumanidade.com, figura a biografia de um dos mais aplaudidos poetas maranhenses do início do século XX: Vespasiano Ramos.

A certa altura da matéria que lhe é dedicada, lê-se que: a referência biográfica que vale sem restrições à sua vida, porém, é a de ele ter sido um poeta em tempo integral. Tudo mais é especulação, matéria própria para controvérsia. Por exemplo: não se sabe ao certo sequer onde ele faleceu, nem precisamente quando - teria sido talvez no Amazonas, em 1915, ou em Porto Velho, ou ainda mesmo em São Luís, a 26 de dezembro de 1916.

O ilustre Dr. Viriato Moura - médico e membro da Academia de Letras de Rondônia – nos envia a seguinte informação, citando in verbis o artigo escrito pelo jornalista João Alfredo Mendonça, contemporâneo e amigo de Vespasiano Ramos que residia em Porto Velho, cidade na qual, depois de uma breve estadia, veio a falecer o poeta maranhense: “Nesse mesmo dia, contra sua vontade, levei-o para minha residência onde, a 26 de dezembro de 1916, às 2 horas da tarde (o atestado de óbito, lavrado no dia seguinte, informa que a morte se deu às 3 da tarde), repousando a cabeça em meus braços, exalou o último alento. Minha mulher foi quem lhe colocou uma vela na mão, à hora extrema”.

Dr. Viriato Moura conta que Vespasiano Ramos foi sepultado no Cemitério dos Inocentes, próximo ao centro comercial de Porto Velho, e acrescenta ainda que: “A despeito de ter passado apenas vinte e poucos dias aqui em Porto Velho (chegou nesta cidade no início de dezembro de 1916 e faleceu no dia 26 do mesmo mês e ano), esse poeta maranhense ainda é muito lembrado entre nós. O seu centenário de nascimento, em 1984, ensejou algumas comemorações patrocinadas pela Fundação Cultural do Estado de Rondônia, FUNCER, tais como a republicação de seu único livro Cousa Alguma, palestras, debates etc.”

Vale lembrar: no próximo dia 13 de agosto, é assinalado o 129º ano do nascimento do poeta da Samaritana.



Escrito por Equipe Patrimônio às 17h15
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PRESERVAR É PRECISO

Atualmente, o peixe-boi é uma das espécies da fauna brasileira mais ameaçada de extinção.

Segundo dados levantados por entidades ambientalistas e órgãos governamentais de proteção, existem apenas cerca de 500 exemplares do animal em toda costa brasileira – 100 dos quais vivendo em áreas preservadas do litoral maranhense, sobretudo na Baía do Tubarão, próxima aos municípios de Humberto de Campos, Icatu e Primeira Cruz.

Lamentável: embora exista na Terra há sessenta milhões de anos, é provável que talvez o peixe-boi não resista a outra década de degradação de seu habita natural, à caça ainda hoje praticada ou mesmo às capturas acidentais em redes de emalhe.

Um vívido testemunho sobre a espécie é feito no livro História dos Animais e Árvores do Maranhão, de frei Cristóvão de Lisboa, escrito presumivelmente entre 1625 e 1631, e diz que:

Guaraguá é a vaca do mar, é da compridão de dez ou doze palmos, é grosso como uma vaca; é pardo cor de cinza, tem as tripas e a fressura como uma vaca e cria seus filhos de leite e tem as mamas debaixo dos braços; o macho tem a sua natura tamanha como de cavalo e da própria forma; o rabo tudo é gordura de que se faz manteiga que é boa para frigir e para candeia e há algum tamanho que dá dez ou onze arrobas e seis ou sete canadas de manteiga; não se bota nada fora, tudo se come até as tripas e a pele serve para fazer sola; fazem o seu acoitamento no mar perto da costa e no mês de março vão aos lagos e rios de água doce comer ervas e folhas; houve ano que se matariam trezentos peixes ou mais; ele tem duas pedras no ouvido do tamanho de um botão engrossado e tem duas pequenas pegadas as duas às duas grandes e as pequenas servem para o ar e as grandes servem para a dor de pedra, coisa experimentada em França; e vos quero contar o que vi fazer a este peixe: vi matar uma fêmea e esfolarem-na e botarem a pele em terra à borda de água; e quando foi ao outro dia, indo buscar água, acharam o filho em riba da pele deitado e tomaram-no.

Para mais informações sobre a espécie, consulte http://www.projetopeixe-boi.com.br/

[Foto: Movimento Educacional de preservação da Amazônia]



Escrito por Equipe Patrimônio às 16h56
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UM TESTEMUNHO

De passagem por São Luís em 1819, durante a expedição de estudos cujo objetivo era catalogar a fauna e a flora do Brasil, os cientistas alemães Johann Baptiste von Spix (1781-1826) e Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), disseram que a cidade merecia “à vista de sua população e riqueza, o quarto lugar entre as cidades brasileiras.”

E acrescentaram mais:

“As mulheres do Maranhão, além da louvável modéstia e virtudes domésticas, também possuem um espírito ilustrado por muitos conhecimentos, e mostram-se, daí em relação aos homens, numa independência cheia de dignidade, que mais e mais lhes dá o direito, assim como às suas irmãs européias, de fazer sentir sua influência na sociedade.”

Estava então em pleno florescimento a São Luís que era mais européia que brasileira; que estava espiritual e culturalmente mais próxima de Lisboa do que de Salvador ou do Rio de Janeiro.

[von Marthius]



Escrito por Equipe Patrimônio às 17h41
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INFERNO E CÉU

Para a semana que vai se encerrando, um poema de Nauro Machado, em edição bilíngüe.

Inferno e Céu

Sei que, no alto, uma lua renasce sempre em lua,
depois do sol. Porém, em mim, o dia se apaga
e desce à terra na órbita dos meus olhos.
Sinto: sei que não vou poder nascer de novo.


Holle und Himmel

Ich weiB, daB oben ein Mond stets als Mond wiedergeboren wird,
nach der Sonne. In mir jedoch erlischt der Tag
und sinkt zur Erde in der Planetenbahn meiner Augen.
Ich fühle: ich weiB, daB ich nicht wiedergeboren werden kann.



Escrito por Equipe Patrimônio às 14h19
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FELICIDADE

Para os amores próximos e para os amores distantes, para os corações apaixonados pela vida e para aqueles que ainda estão descobrindo essa paixão, nada melhor do que iniciar a tarde com o belo Soneto da Felicidade, de Odylo Costa, filho.

Não receies, amor, que nos divida
um dia a treva de outro mundo, pois
somos um só, que não se faz em dois
nem pode a morte o que não pode a vida.

A dor não foi em nós terra caída
que de repente afoga mas depois
cede à força das águas. Deus dispôs
que ela nos encharcasse indissolvida.

Molhamos nosso pão quotidiano
na vontade de Deus, aceita e clara,
que nos fazia para sempre num.

E de tal forma o próprio ser humano
mudou-se em nós que nada mais separa
o que era dois e hoje é apenas um.


[Pôr-do-sol, acervo do Patrimoniodahumanidade.com]



Escrito por Equipe Patrimônio às 15h17
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ALCÂNTARA

[Praça da Matriz, Alcântara, Maranhão]



Escrito por Equipe Patrimônio às 20h10
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