Blog do Patrimônio


REGISTRO IMPORTANTES

Pela crença popular, agosto é o mês do desgosto – para a memória da cultura maranhense, no entanto, esse mês de fama tão pouco lisonjeira assinala duas passagens de imensa relevância.

A primeira: 10 de agosto de 1823, data do nascimento, em Caxias, Maranhão, de Antônio Gonçalves Dias, um dos maiores poetas da língua portuguesa de todos os tempos.

Sobre esse poeta maior, que tocou profundamente a alma brasileira e que ainda hoje é declamado e aclamado – quem não sabe de cor os versos da Canção do Exílio, talvez o mais parodiado e imitado poema da nossa literatura? – escreveu o poeta José Chagas:

A ilha aguarda a vinda de um navio
que nunca mais há de chegar ao porto,
porque lhe pesa no convés sombrio
a alma leve de um poeta morto


Refere-se Chagas às circunstâncias da morte de Gonçalves Dias, que, doente, regressava a São Luís quando o navio em que viajava, o Ville de Boulogne, naufragou nos baixios dos Atins, em Guimarães, Maranhão, em 13 de novembro de 1864. Muito fraco e abatido na ocasião, o poeta foi o único que não conseguiu se salvar – e fica o gosto amargo de não ter sido concedido a ele, como pedira, não morrer sem ter conseguido voltar para a terra ‘onde canta o sabiá.’

Abaixo, a transcrição de Nelson Archer, para o inglês, da Canção do Exílio :

The song of exile

Kennst du das Land, wo die Citronen blühen,
Im dunklen Laub die Gold-Orange glühen?
Kennst due s wohl? – Dahin, dahin!
Möchtl ich…zeihn.
Goethe

My homeland has many palm-trees
and the thrush-song fills its air;
no bird here can sing as well
as the birds sing over there.

We have fields more full of flowers
and a starrier sky above,
we have woods more full of life
and a life more full of love.

Lonely night-time meditations
please me more when I am there;
my homeland has many palm-trees
and the thrush-song fills its air.

Such delights as my land offers
Are not found here nor elsewhere;
lonely night-time meditations
please me more when I am there;
My homeland has many palm-trees
and the thrush-song fills its air.

Don't allow me, God, to die
without getting back to where
I belong, without enjoying
the delights found only there,
without seeing all those palm-trees,
hearing thrush-songs fill the air
.

A segunda passagem: no mesmo dia 10 de agosto, só que de 1908, um grupo de doze intelectuais maranhense se reuniu no salão de leituras da então Biblioteca Pública de São Luís e ali resolveram fundar a Academia Maranhense de Letras – que está, neste mês de agosto de 2013, comemorando 105 anos de atividades.


[Retrato de Gonçalves Dias]



Escrito por Equipe Patrimônio às 12h11
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